O tema das tecnologias no processo de ensino-aprendizagem tem sido bastante recorrente. Na verdade, há uma certa fetichização das tecnologias digitais da informação e comunicação (TDICs) na educação. Esse fetiche está no bojo da concepção sobre as metodologias ativas, outro tema onipresente no debate sobre o ensino.
Nesse contexto, as tecnologias digitais vêm sendo entendidas no meio educacional como um fim em si mesmas, como se elas por si só pudessem transformar as dificuldades enfrentadas no meio escolar. Portanto, é preciso ir além e refletir sobre os limites dessas tecnologias, compreendê-las como um instrumento eficaz nos objetivos de aprendizagem esperados, como um mecanismo comunicacional com potencialidades reconhecidas para a formulação de propostas didáticas, mas não como um substituto do trabalho do professor, muito menos como uma fórmula mágica que garante a aprendizagem significativa.
Recentemente, a partir da atuação de organizações de classe, principalmente representantes de grandes empresas de tecnologia foi criado, por meio da Resolução CNE/CEB nº 1/2022 de 4 de outubro de 2022, a BNCC computação, como complemento a Base Nacional Comum Curricular, que estabelecia um conjunto de habilidades distribuídas em todas as etapas e anos da educação básica, a serem contempladas a partir dos eixos: pensamento computacional, mundo digital e cultura digital (Brasil, 2022).
Uma das concepções básicas do documento é a resolução de problemas. Desse modo, a presença da computação na educação básica serviria como uma habilidade de compreensão e decomposição de problemas. Larissa Ruis observa que o documento “incentiva a inovação ‘crítica’ e ‘criativa’ por meio da promoção de ‘soluções computacionais’, as quais disseminam, por isso, a ideologia do solucionismo computacional” (Ruis, 2025, p. 117).
Tendo o computador como instrumento basilar salvacionista com potencial para ‘resolver problemas’, o discurso da inovação se destaca, aliado à apropriação das demandas do capital, por meio de uma visão mercadológica de inserção profissional. Em um projeto de inovação educacional cada vez mais intenso, esse enfoque busca acentuar a mercantilização em benefício do setor privado, disfarçada de desenvolvimento social e econômico, propiciada por esse novo Mundo Digital, mas que mantém raízes antigas (Ruis, 2025. p.117).
Larissa Ruis observa que a diretriz curricular de computação, complementar à BNCC, faz uma inversão de valores fundamentais na relação humano-tecnologia, pois se baseia em uma lógica de simplismo sistemático e eficiente do pensamento, como se o ser humano pudesse atuar como uma máquina. “Sendo assim, o Pensamento Computacional – eixo de maior ênfase nos documentos [...] – pode ser visto como uma tentativa de naturalizar a substituição tecnológica, mesmo que, parcialmente, invertendo os valores humano-tecnologia” (Ruis, 2025, p. 119).
Além disso, a autora destaca que o documento se baseia em uma leitura de “soberania da racionalidade técnica”, como se fosse pensamento crítico, e na mercantilização da educação, buscando moldá-la em um “produto consumível” (Ruis, 2025, p. 120). Ruis acrescenta que, no documento, o pensamento crítico é “cooptado para servir aos interesses do capital, evidenciando a performatividade do discurso das soluções computacionais” (Ruis, 2025, p. 120). Assim, as tecnologias são entendidas como elementos fundamentais para a solução de problemas complexos.
Portanto, a criação dessa política educacional dialoga diretamente com a concepção de adaptabilidade criticada por Dermeval Saviani (2011) na pedagogia neoescolanovista, pois o foco fundamental não é a crítica da realidade como um todo e as possibilidades de mudança no mundo, mas a resolução de problemas imediatamente postos. Sendo assim, a leitura crítica a que o documento se propõe no eixo cultura digital não ultrapassa a lógica de interpretação fechada da realidade posta.
Além disso, Luiz Reis observou que a atuação de think tanks como o Centro de Inovação para a Educação Brasileira (CIEB)buscou, entre outras coisas, garantir o financiamento de mercadorias produzidas pelas edtechs, por meio da criação de demandas direcionadas ao setor público.
O dito ecossistema de inovação educacional abrange capitais de vários segmentos da economia, que se articulam em torno do Cieb para propor e induzir novas políticas educacionais, alimentando novos modelos de negócio. Essa articulação em rede favorece a industrialização da educação básica, com possibilidade de escalonar a “produção” e induzir as compras estatais, ensinando os capitais o caminho para acessar o fundo público e criando condições para que essa etapa da educação possa ser financeirizada (Reis, 2025, p.174).
Desse modo, o Observatório do Campo Maranhense não pretende apresentar-se como uma mera solução tecnológica no meio educacional; ele é um produto de natureza comunicacional. A tecnologia é utilizada apenas como intermediário, sendo o site uma plataforma para comunicar e propiciar a reflexão sobre o processo de expansão fundiária no Maranhão durante a segunda metade do século XX e seus respectivos impactos.
O produto faz uso de diferentes instrumentos tecnológicos, como o mapa interativo e a apresentação de materiais audiovisuais, além de exigir conexão com a internet; no entanto, não pretende substituir o papel fundamental exercido pelo professor e pelo aluno no processo de mediação do conhecimento.
Defender a importância criativa e crítica do professor na relação com as tecnologias no ambiente educacional é fundamental diante das exigências direcionadas a ele neste contexto de hipertrofia da lógica computacional e de soluções informáticas presentes no discurso da UNESCO e da BNC – Formação. Como observa Andréa Silva (2019), um dos pressupostos básicos do discurso da UNESCO é a ênfase nos elementos dispostos pela Teoria do Capital Humano ao propagar a ideia de que a construção de competências técnicas e profissionais para a inserção no mundo do trabalho, quando certificadas pelos sistemas educacionais, poderá contribuir para a ampliação da produtividade econômica (Silva, 2019, p. 12). Essa perspectiva foi incorporada na elaboração de um conjunto de competências e habilidades definidas para a atividade docente pela Resolução CNE/CP nº 2, de 20 de dezembro de 2019, na qual há diversas menções à necessidade de criar e utilizar ferramentas tecnológicas e de informação e comunicação (Brasil, 2019).
Sendo assim, é importante compreender o professor não como um mero reprodutor de técnicas e de soluções tecnológicas, mas como um sujeito inserido ativamente no processo educacional que, por meio da relação que estabelece com a prática social, pode conferir significado à aprendizagem. Logo, não são as soluções tecnológicas que permitem uma aprendizagem significativa, mas a relação que o docente estabelece com a realidade imediata e concreta dos alunos.
Desse modo, o pensamento crítico pode ser produzido não como uma mera performance diante de soluções imediatas e complexas na lógica do capital, mas como uma possibilidade de reflexão ontológica e axiológica da realidade, permitindo um olhar para a natureza do mundo em que se está inserido, sua pluralidade, seus condicionantes e os caminhos para a transformação.
Concomitantemente ao tema das tecnologias na educação, outro ponto fundamental para a elaboração do Observatório do Campo Maranhense é a interdisciplinaridade. Inicialmente, a pesquisa havia sido pensada para ser aplicada a discentes do 3º ano do Ensino Médio; no entanto, a experiência docente em turmas do 8º e 9º ano do Ensino Fundamental — produto das distorções próprias da educação pública brasileira — e as reflexões a respeito da interdisciplinaridade ajudaram a perceber a potencialidade da temática sobre a questão agrária no Maranhão. Essa abordagem conecta a ditadura empresarial-militar e suas particularidades no estado a uma compreensão mais aprofundada sobre a estrutura do capitalismo na segunda metade do século XX e suas dinâmicas transacionais, que legam ao Brasil a condição de nação dependente, cujos impactos podem ser percebidos a partir da história da população camponesa maranhense, temas recorrentes nas disciplinas de História e Geografia.
A abordagem interdisciplinar permite despertar para a relação entre objetos de conhecimento que podem ser articulados, o que viabiliza um olhar mais complexo da realidade, sobretudo porque os conhecimentos aparecem de forma extremamente fragmentada nas disciplinas.
No caso específico da modernização dependente, percebe-se que os estudos sobre a mecanização do campo e a liberação da mão de obra aparecem de forma desarticulada dos estudos históricos sobre a privatização da terra e seus impactos no Brasil. Da mesma forma, a construção histórica do capitalismo e suas características imperialistas contemporâneas não são colocadas em conexão com os interesses privados que dominaram a conjuntura da ditadura brasileira na segunda metade do século XX, nem com a relação desse processo com o contexto global de construção de uma economia dependente no Brasil.
Junta-se a isso a dificuldade de interação entre os conhecimentos nacionalizados por meio da Base Nacional Comum Curricular (BNCC) e aquilo que tem sido compreendido no currículo nacional como parte diversificada. Mesmo com a construção de um Documento Curricular do Território Maranhense (DCT-MA), que, em tese, busca estipular objetos de conhecimento que se relacionam com a realidade local, essa articulação esbarra na hipervalorização dos conhecimentos nacionalizados pelo Plano Nacional do Livro Didático (PNLD) e na falta de critérios mais específicos de articulação entre conhecimentos gerais e parte diversificada. Soma-se a esse cenário, no caso específico do conhecimento histórico, a compreensão tênue da complexidade da realidade nacional.
De acordo com Juan Suero:
a palavra interdisciplinaridade evoca a "disciplina" como um sistema constituído ou por constituir, e a interdisciplinaridade sugere um conjunto de relações entre disciplinas abertas sempre a novas relações que se vai descobrindo. Interdisciplinar é toda interação existente dentre duas ou mais disciplinas no âmbito do conhecimento, dos métodos e da aprendizagem das mesmas. Interdisciplinaridade é o conjunto das interações existentes e possíveis entre as disciplinas nos âmbitos indicados (Suero, 1986 apud Lenoir, p. 161)
Assim, trata-se de uma abordagem mais holística do objeto de estudo, a partir de diferentes pontos de vista e de contribuições de diferentes campos do pensamento que, à primeira vista, parecem fechados, mas são intercambiáveis dialeticamente. Além disso, como apontou Ivani Fazenda, a interdisciplinaridade vai além dessa relação entre as disciplinas: ela é uma atitude diante da questão do conhecimento. “A interdisciplinaridade pauta-se numa ação em movimento. Pode-se perceber esse movimento em sua natureza ambígua, tendo como pressuposto a metamorfose, a incerteza” (Fazenda, 2002, p. 180).
Marília Pires observa que “a interdisciplinaridade apareceu, então, para promover a superação da superespecialização e da desarticulação entre teoria e prática, como alternativa à disciplinaridade” (Pires, 1998, p. 177). Desse modo, segundo a autora, a proposta interdisciplinar surge como forma de crítica “à organização social capitalista, à divisão social do trabalho e à busca da formação integral do gênero humano” (Pires, 1998, p. 177). Assim, complementando o debate de Ivani Fazenda sobre o caráter atitudinal que envolve a interdisciplinaridade, compreende-se o seu papel de relação com a realidade concreta, com a prática social. Como especificado por Saviani, “a prática exige a reflexão teórica; é a superação da ação não pensada pela prática concreta, refletida, a ação concreta pensada” (Saviani, 1991 apud Pires, 1998, p. 177).
Assim, quando o ponto de partida é a prática social, o diálogo entre os temas torna-se obrigatório, mas natural, já que a realidade em si é multifacetada, complexa e dotada de elementos intercambiáveis, como destaca Frigotto:
“a interdisciplinaridade se apresenta como problema pelos limites do sujeito que busca construir o conhecimento de uma determinada realidade e, de outro lado, pela complexidade desta realidade e seu caráter histórico. Todavia esta dificuldade é potencializada pela forma específica que os homens produzem a vida de forma cindida, alienada, no interior da sociedade de classes.” (Frigotto, 1995, p.31).
Yves Lenoir destaca que há diferenças fundamentais entre a interdisciplinaridade científica e a interdisciplinaridade educacional. Em seu quadro analítico, o autor explicita as principais características de cada uma delas, conforme se observa a seguir:
Maiores distinções entre interdisciplinaridade científica e interdisciplinaridade escolar
|
Interdisciplinaridade científica |
Interdisciplinaridade escolar |
| Finalidades |
Produzir novos conhecimentos |
Difusão de conhecimentos |
| Objetos |
Tem por objeto as disciplinas científicas. |
Tem por objeto as disciplinas escolares. |
| Modalidades de aplicação |
Implica a noção de pesquisa: Tem o conhecimento como sistema de referência. |
Implica a noção de ensino, de formação: Tem como sistema de referência o sujeito aprendiz e sua relação com o conhecimento. |
| Sistema referencial |
Retorno à disciplina na qualidade de ciência (saber sábio). |
Retorno à disciplina como matéria escolar (saber escolar), para um sistema Referencial que não se restringe às ciências. |
| Consequência |
Conduz à produção de novas disciplinas segundo diversos processos; às realizações técnico-científicas. |
Conduz ao estabelecimento de ligações de complementaridade entre as matérias escolares. |
Fonte: adaptado de Lenoir, 1998, p. 52
Desse modo, há um elemento axiológico fundamental na interdisciplinaridade escolar, que impõe a necessidade de romper as barreiras entre as disciplinas estudadas como forma de estabelecer ligações consistentes entre teoria e prática.
Alejandro Arias afirma que é comum esse distanciamento entre teoria e prática, pois, frequentemente, o docente foca no elemento teórico, acreditando que o aluno fará a relação com sua realidade por conta própria, ou realiza ele mesmo essa contextualização. No entanto, “é necessário que o docente procure no aluno os vínculos práticos e faça com que o aluno os identifique na teoria apresentada” (Arias, 2023, p. 1).
Além disso, Yves Lenoir apresenta três planos em que pode ocorrer a interdisciplinaridade escolar. O primeiro é o plano da interdisciplinaridade curricular, base sobre a qual se constroem os demais. Este plano é produto de uma análise sistemática de programas de estudo com o intuito de incorporar conhecimentos em um todo, buscando preservar as particularidades disciplinares ao mesmo tempo em que garante a “complementaridade dentro de uma perspectiva de troca e de enriquecimento” (Lenoir, 1998, p. 57).
O segundo plano é o da interdisciplinaridade didática, caracterizada por “suas dimensions conceituais e antecipativas; trata da planificação, da organização e da avaliação da intervenção educativa” (Lenoir, 1998, p. 58), ou seja, faz parte da etapa de organização do trabalho docente. Essa etapa não consiste na busca por uma receita pronta, mas por “instrumentos conceituais que possuem uma dimensão conjuntural de maneira limitativa, e que servem para guiar a concepção de práticas educativas interdisciplinares” (Lenoir, 1998, p. 58).
Portanto, impõe-se, novamente, a função fundamental do professor no processo de mediação didática e sua capacidade de estabelecer conexões significativas entre a prática social e as possibilidades de superação mediante o terceiro plano da interdisciplinaridade: a interdisciplinaridade pedagógica. Como destaca Yves Lenoir:
Ela assegura, na prática, a colocação de um modelo ou de modelos didáticos interdisciplinares inseridos em situações concretas da didática. Mas, obrigatoriamente, essa atividade prática não pode se efetuar sem levar em conta um conjunto de outras variáveis que agem e interagem na dinâmica de uma situação de ensino - real aprendizagem (Lenoir, 1998, p. 58).
É nessa dinâmica real da sala de aula que a abordagem pedagógica pode ser produzida. É por meio do contato com a realidade e de seu dimensionamento que se viabilizam os instrumentos de intercâmbio entre as disciplinas, levando em conta as possibilidades estabelecidas pelo currículo em vigor e compreendendo, também, os limites impostos pela estrutura curricular e pela própria prática pedagógica (Lenoir, 1998, p. 59).
Por sua característica diversa e multifacetada, a história agrária é, por natureza, interdisciplinar, pois depende de um esforço intelectual que ultrapassa os campos delimitados do conhecimento disciplinar, exigindo um diálogo constante entre as áreas do saber. Esse esforço pode ser percebido na multiplicidade de temas que a envolve, já que:
a história agrária, como uma modalidade de história social da agricultura, cujo objeto seria constituído pelas formas de apropriação e uso do solo, pelo estatuto jurídico e social dos trabalhadores rurais (produtores diretos); nessa ótica, caberia ao estudo dos sistemas agrários, objeto central da análise, dar conta das relações de produção e das tipologias agrárias (Linhares, 1997, p. 247).
Desse modo, ao pensarmos um tema como a questão agrária no contexto da ditadura empresarial-militar, diversas questões se impõem: são elas de ordem econômico-produtiva, demográfica, físico-natural, socioeconômica, política e jurídica, em seus aspectos legais e consuetudinários, entre outros. Assim, só uma abordagem aberta a uma visão interdisciplinar é capaz de atender a tamanha diversidade e complexidade.
Ao pensarmos a mediação dos conhecimentos sobre esse tema com alunos da educação básica, é inevitável observar as potencialidades constituídas por uma abordagem interdisciplinar, que podem viabilizar uma leitura mais orgânica da realidade em que se insere o discente e dos condicionantes que a sustentam.
Circe Bittencourt destaca, com Ivani Fazenda, que a prática interdisciplinar na escola exige um engajamento do professor e uma mudança de postura diante do conhecimento escolar, mas observa que um olhar sobre as práticas pedagógicas evidencia a dificuldade na realização de trabalhos dessa natureza (Bittencourt, 2009, p. 255).
Bittencourt questiona se a existência de disciplinas seria um elemento limitador da interdisciplinaridade e conclui que a própria prática interdisciplinar exige a existência de disciplinas que possam estabelecer vínculos epistemológicos. Desse modo, a autora salienta que, para uma prática interdisciplinar significativa na escola, o professor deve ter um aprofundamento em seu próprio campo de conhecimento, o que garantirá uma abordagem sem superficialidade, permitindo uma leitura profunda dos temas (Bittencourt, 2009, p. 256).
Marta Brodbeck, por sua vez, destaca que superar a fragmentação das disciplinas para tornar a aprendizagem significativa “é, sem dúvida, o grande desafio da educação ao longo do tempo” (Brodbeck, 2012, p. 20). Segundo a autora, isso é ampliado diante da velocidade com que as informações circulam na atualidade. Além disso:
A organização compartimentada das disciplinas é um obstáculo para que o aluno realize uma integração interna. Contudo, mesmo quando existe uma disposição em experimentar a interdisciplinaridade, essa prática continua sendo, de modo geral, uma experiência de excepção dentro da escola, por que de alguma forma torna-se um grande desafio engendrar uma organização que viabilize a interação entre os docentes das diferentes disciplinas para desenvolver o trabalho interdisciplinar (Brodbeck, 2012, p.20)
Abaixo apresenta-se um esquema das disciplinas e temas abordados de forma interdisciplinar no Observatório do Campo Maranhense, nas disciplinas de História, Geografia, Ciências da Natureza do 8º e 9º ano do ensino fundamental e nos Temas Contemporâneos Transversais.
Temas curriculares abordados de forma interdisciplinar no Observatório do campo Maranhense
Como se pode observar, o debate sobre o processo de modernização dependente no Maranhão permite a mediação de uma pluralidade de conhecimentos que perpassam: a constituição histórica da estrutura fundiária e sua manutenção e readequação ao longo do tempo; as disputas em torno de projetos de poder; a conformação de estruturas socioeconômicas; a composição do cenário econômico global; o papel preponderante de determinadas nações sobre outras, considerando, principalmente, o cenário latino-americano; os impactos causados pelas mudanças decorrentes do processo de modernização dependente em comunidades camponesas e, consequentemente, as transformações no cenário demográfico e na estrutura populacional entre o espaço urbano e rural; e, por fim, o impacto ambiental decorrente desse conjunto de transformações.
Nesse cenário, a interdisciplinaridade não pode ser entendida como um roteiro desarticulado de contribuições das diversas áreas para o tema, mas como um conjunto coerente e coeso que permite tecer um cenário amplo das questões que compõem o debate sobre os usos da terra e os projetos de poder que condicionam esses usos
A fundamentação teórico-metodológica exposta, pautada na crítica ao fetichismo tecnológico e na defesa de uma interdisciplinaridade articulada à prática social, encontra sua dimensão concreta no desenvolvimento do Observatório do Campo Maranhense. A seguir, detalha-se a arquitetura e a interface deste produto educacional, descrevendo como os pressupostos discutidos foram revertidos em ferramentas digitais destinadas à mediação do saber sobre a modernização conservadora e a questão agrária no Maranhão.
Referências
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- BITTENCOURT, Circe. Ensino de História: fundamentos e métodos. 3ªed. São Paulo: Cortez, 2009
- BRODBECK, Marta de Souza Lima. Vivenciando a história: metodologia de ensino de história. Curitiba: Base Editorial, 2012, 184 p.
- FAZENDA, Ivani (Org.). Dicionário em construção: interdisciplinaridade. 2. ed. São Paulo: Cortez, 2002.
- FRIGOTTO, G. A interdisciplinaridade como necessidade e como problema nas ciências sociais. In: BIANCHETTI. L., JANTSCH. A. Interdisciplinaridade: para além da filosofia do sujeito. Petrópolis: Vozes. 1995
- LENOIR, Yves. Didática e interdisciplinaridade: uma complementaridade necessária e incontrolável. In: FAZENDA, Ivani. (. Didática e interdisciplinardiade. 17ª. ed. Campinas: Papirus, 2012. p. 45-76.
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